Reforma de cozinha: 5 decisões que estouram o orçamento depois que o pedreiro já está na obra
A cozinha está com o piso quebrado, o armário velho já saiu e o pedreiro chegou. Você tinha na cabeça um número — digamos, R$ 25 mil — e nas primeiras duas semanas ele já virou R$ 34 mil. Nada de absurdo aconteceu: foram cinco decisões pequenas, tomadas com a obra rodando, cada uma parecendo inevitável no momento.
Essas cinco decisões são quase sempre as mesmas. E quatro delas dá para resolver antes de o primeiro saco de cimento entrar.
1. Mudar o ponto hidráulico da pia depois que o piso saiu
É a decisão que mais encarece cozinha pequena, e ela quase sempre nasce de uma boa intenção: “já que está tudo aberto, deixa a pia embaixo da janela”.
Mover ponto de água e esgoto significa quebrar contrapiso, refazer caimento, testar, e só então fechar. Some mão de obra, material, uma semana a mais de obra e o risco real de infiltração no vizinho de baixo se o caimento sair errado. A faixa que se vê nesse tipo de serviço em apartamento vai de R$ 1.500 a R$ 4.000, dependendo da distância e do andar.
Vale quando a posição atual da pia inviabiliza o uso da bancada. Não vale por estética. Se a dúvida é só onde fica mais bonito, cole fita crepe no chão marcando as duas opções e circule por três dias antes de decidir. Depois que o piso saiu, decidir custa dinheiro.
Quanto custa
2. Escolher o revestimento depois de o assentador estar contratado
Parece detalhe de cronograma e é dinheiro puro.
Porcelanato de formato grande — 90×90, 120×120 — exige assentador mais experiente, nivelador de piso, argamassa específica e sobra maior de corte. O mesmo profissional que cobra R$ 45 a R$ 60 por metro quadrado numa peça 60×60 cobra bem mais numa peça grande, e o desperdício sobe.
Se você define o revestimento antes de fechar o orçamento, essa diferença entra na negociação. Se define depois, entra como aditivo, e aditivo não se negocia.
Um caminho que funciona bem em cozinha: peça retificada 60×60 acetinada no piso, com rejunte na cor do porcelanato. O ambiente ganha continuidade visual quase igual à da peça grande, com metade da dor de cabeça na execução.
Mais ideias
3. Deixar a marcenaria para o final
O erro mais caro em valor absoluto, e o mais comum.
Marcenaria planejada leva de 30 a 60 dias entre medição, projeto aprovado e entrega. Quem chama o marceneiro só quando a alvenaria terminou descobre duas coisas ao mesmo tempo: que vai ficar sem cozinha por mais um mês e meio, e que alguns pontos elétricos estão no lugar errado.
Tomada que devia estar a 1,10 m para o micro-ondas embutido está a 30 cm. Ponto de coifa deslocado em relação ao cooktop. Cada correção depois do azulejo assentado é quebra, remendo e retoque — e retoque em revestimento novo aparece.
A ordem correta é: projeto de marcenaria aprovado primeiro, com o mapa de pontos elétricos e hidráulicos gerado por ele, e só então a obra começa. Isso não custa nada a mais. Custa antecedência.
4. Comprar eletrodoméstico embutido sem conferir a medida do nicho
Forno, micro-ondas, coifa e cooktop têm medidas de nicho que variam entre marcas em centímetros — e centímetro em marcenaria pronta é módulo refeito.
A situação clássica: o marceneiro pede as medidas, você ainda não comprou, ele usa “medida padrão”, e o forno que você acha em promoção três semanas depois tem 2 cm a mais de largura. Refazer um módulo custa entre R$ 600 e R$ 1.500, e o prazo volta para o fim da fila.
A regra prática é chata mas resolve: escolha os modelos exatos antes da medição final, baixe o manual de cada um e entregue as folhas com o desenho de nicho ao marceneiro. Não precisa comprar ainda — precisa decidir. Se o modelo sair de linha antes da compra, você troca por um de medida equivalente, o que é bem mais fácil do que refazer madeira.
5. Descobrir a instalação elétrica antiga no meio do caminho
Este não é evitável, mas é orçável — e a diferença entre susto e planejamento está aí.
Em apartamento com mais de 25 ou 30 anos, é comum a cozinha ter fiação de 1,5 mm² onde hoje se pede 2,5 mm², circuito único para todos os pontos e nenhum aterramento. Com forno elétrico, cooktop de indução e máquina de lavar louça, isso não se sustenta.
Refazer o circuito da cozinha até o quadro fica normalmente entre R$ 1.200 e R$ 3.500, incluindo disjuntores e um circuito exclusivo para o forno. O que transforma isso em problema é ele não estar previsto.
Peça ao eletricista uma avaliação antes de fechar o orçamento geral e reserve esse valor à parte. Se a fiação estiver boa, você ganhou uma folga. Se não estiver, o número já estava contado.
Onde economizar sem se arrepender. Nem tudo precisa ser bom. Vale gastar em bancada, ferragem de gaveta e instalação elétrica — são as três coisas que você usa todo dia e que não dá para trocar depois sem desmontar cozinha.
Dá para economizar sem prejuízo em: puxador (a mesma gaveta com puxador nacional simples funciona igual), revestimento de parede acima do armário (ninguém vê), torneira de design (as de linha intermediária de marcas conhecidas duram bem), e iluminação decorativa pendente — que quase sempre entra depois, com a obra pronta e o orçamento respirando.
E a decisão que mais economiza dinheiro é a mais simples de todas: fechar todo o projeto — marcenaria, elétrica, revestimentos e eletrodomésticos escolhidos — antes de a obra começar. Cada decisão adiada para o meio da obra custa mais caro do que a mesma decisão tomada em casa, com calma, olhando três orçamentos.
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