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Reformar para alugar: os 4 gastos que não voltam no aluguel (e os 3 que voltam em poucos meses)

Reformar para alugar: os 4 gastos que não voltam no aluguel (e os 3 que voltam em poucos meses)

BSEditado por Bruno Schuck · Agrid

O apartamento está vazio há dois meses. Parede com marca de quadro, armário de cozinha com a porta empenada, box do banheiro manchado de tanto produto. Você já ouviu de todo mundo que “precisa dar uma renovada”, e o orçamento que chegou do pedreiro fala em trocar piso, bancada e revestimento do banheiro inteiro.

Antes de aprovar qualquer coisa, vale uma conta de dois minutos — ela muda bastante o que entra na lista.

A conta que decide antes de você escolher a tinta

Imóvel para alugar não se reforma pelo gosto: se reforma pelo tempo de retorno. A pergunta é sempre a mesma: quantos meses de aluguel esse gasto demora para voltar?

Ele volta de duas maneiras. Ou o imóvel aluga por um valor maior, ou ele aluga mais rápido — e aí o que volta é o mês vago que você deixou de ter. O segundo caminho costuma render mais e quase ninguém calcula. Um imóvel de aluguel de R$ 2.000 parado por dois meses já custou R$ 4.000. Uma intervenção de R$ 3.000 que corta esse tempo pela metade se pagou antes de o inquilino assinar.

O erro caro é inverter a lógica: gastar onde o inquilino não repara e economizar onde ele decide.

Quanto custa

Pinturas completas de um apartamento de 2 quartos costumam ficar na faixa de R$ 2.500 a R$ 5.000 com mão de obra e material, variando bastante por cidade e por quantidade de demão. É quase sempre o gasto de melhor retorno da lista.

Os quatro gastos que não voltam

1. Trocar o piso que ainda está inteiro. Porcelanato novo em toda a área social sai facilmente entre R$ 8.000 e R$ 15.000 em um apartamento médio, contando remoção, material e assentamento. Um piso antigo mas sem trinca, sem peça solta e bem limpo praticamente não aparece na decisão de quem visita — o que aparece é rejunte escuro, e isso se resolve com aplicador de rejunte e uma tarde de trabalho, por algo em torno de R$ 150 em material.

2. Revestir o banheiro do zero. Azulejo fora de moda incomoda você, que olha para ele há dez anos. Quem vai morar por dois anos repara em outra coisa: se o box está transparente, se o vaso está firme, se o chuveiro tem pressão. Trocar revestimento de banheiro pequeno passa de R$ 6.000 com facilidade e não sustenta aumento de aluguel proporcional.

3. Marcenaria planejada. Armário embutido de cozinha ou de quarto é o gasto que mais some no aluguel. Custa de R$ 6.000 a R$ 20.000, prende o imóvel a um projeto específico, e ainda vira responsabilidade sua na hora do reparo. Inquilino com armário próprio nem considera isso um diferencial.

4. Ar-condicionado e eletrodomésticos “de brinde”. Instalar split em dois quartos sai por volta de R$ 5.000 a R$ 8.000. Em regiões muito quentes é diferente, mas na maior parte dos casos o aparelho não aumenta o aluguel no mesmo ritmo em que gera chamado de manutenção, gás que acaba e discussão sobre quem paga o conserto.

Os três que se pagam rápido

1. Pintura branca, fosca, em tudo. É o item de maior retorno e não chega perto de ser o mais caro. Parede branca e uniforme faz o ambiente parecer maior nas fotos do anúncio, esconde a idade do imóvel e sinaliza cuidado. Se o orçamento estiver muito curto, pinte teto e paredes das áreas sociais e dos quartos, e deixe as áreas de serviço para depois.

2. Tudo que está quebrado, sem exceção. Torneira pingando, tomada solta, porta que não fecha, lâmpada queimada, sifão vazando. Individualmente são reparos de R$ 80 a R$ 400. Juntos, definem a impressão de “imóvel largado” que derruba proposta ou vira pedido de desconto. Essa lista completa costuma ficar entre R$ 800 e R$ 2.000 e é o dinheiro mais bem gasto da reforma.

3. Iluminação e limpeza pesada. Trocar lâmpadas amareladas por LED branco neutro em todos os cômodos custa algo entre R$ 200 e R$ 500 e transforma como o imóvel aparece nas fotos — que é onde a maioria das visitas é decidida hoje. Some a isso uma limpeza pós-obra profissional, de R$ 400 a R$ 900 num apartamento médio, incluindo vidros, rejunte e box. É a diferença entre um imóvel que parece vazio e um que parece pronto.

Se você só puder fazer duas coisas: pintura e a lista de reparos. Na prática, por algo entre R$ 3.500 e R$ 7.000 o imóvel sai da categoria “precisa de reforma” — que é a etiqueta que mais afasta candidato e mais convida a proposta abaixo do valor.

Perguntas frequentes

Vale a pena entregar o imóvel mobiliado? Depende do perfil da região. Perto de universidade, hospital ou centro comercial com muita rotatividade, sim — mobiliado aluga mais rápido e a valores maiores. Em bairro residencial de família, o móvel vira estorvo: o inquilino já tem o dele e ainda precisa que você guarde o seu em algum lugar.

Pintar de cor ou branco? Branco. Não é falta de personalidade, é matemática de público: a cor que você escolher agrada uma parte dos candidatos e elimina outra. Branco não elimina ninguém e ainda facilita a repintura entre um contrato e outro.

Quanto tempo antes de anunciar devo começar a reforma? Pintura e reparos pequenos num apartamento médio levam de 5 a 10 dias úteis. Anuncie com as fotos prontas, nunca com o imóvel em obra — foto de parede com massa corrida derruba a quantidade de visitas de forma muito concreta.

Consigo repassar o custo da reforma no valor do aluguel? Em parte, e devagar. O teto de quanto o imóvel aluga é dado pela região e pelos concorrentes anunciados no mesmo momento, não pelo quanto você gastou. Por isso a conta certa é sempre a de tempo de vacância evitada, não a de aumento de valor.

Bruno Schuck edita o Agrid. Barra a pauta que só funciona com obra e reforma cara, e cobra faixa de preço em toda solução sugerida.

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