Vistoria do apartamento novo: 9 pontos que a construtora conserta de graça se você anotar antes de pegar a chave
O apartamento está vazio, cheirando a tinta nova, com a luz entrando pela janela sem cortina. Tudo parece perfeito — e parece justamente porque não tem nada dentro. Sem móvel encostado na parede, sem tapete cobrindo o piso e sem chuveiro ligado, os defeitos ficam invisíveis.
A vistoria de entrega é a única hora em que o conserto é problema da construtora. Depois que você assina o termo e a mudança entra, cada item vira orçamento seu. Vale reservar duas horas e ir com calma.
Os 9 pontos que valem cada minuto da vistoria
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Piso: passe a bolinha de gude. Solte uma bolinha no meio de cada cômodo e veja para onde ela corre. Um pouco de caimento no banheiro é proposital, na sala e no quarto não é. Se ela cruza o cômodo inteiro sozinha, o chão está caído para um lado — e isso vira móvel calçado com papelão e porta de armário que não para aberta. Anote com o cômodo identificado.
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Porcelanato oco. Bata com a articulação do dedo em várias peças do chão, principalmente perto das paredes e dos cantos. Peça bem assentada faz um som cheio; peça oca faz um som de tambor. Peça oca solta com o tempo e trinca no primeiro móvel pesado.
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Portas: abra e solte no meio do caminho. Se a porta anda sozinha para fechar ou para abrir, o batente foi instalado torto — não está no esquadro com a parede. Confira também se ela raspa no chão e se a fechadura fecha sem você precisar empurrar a folha com o quadril.
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Janelas correndo até o fim. Corra cada folha de ponta a ponta duas vezes. Trilho torto ou roldana ruim aparece logo, e é um dos itens que a construtora resolve mais rápido. Feche tudo e olhe contra a luz: fresta de luz na lateral vira barulho e poeira.
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Água correndo em todas as torneiras ao mesmo tempo. Abra chuveiro, pia da cozinha e do banheiro juntos. Você quer descobrir agora, e não no primeiro banho, que a pressão cai quando alguém abre a torneira do outro cômodo.
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Ralos e o teste do balde. Jogue um balde de água em cada ralo e no box. A água precisa sumir rápido e não pode ficar poça parada perto da porta do banheiro. Cheiro de esgoto subindo pelo ralo também entra no relatório.
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Todas as tomadas, com um carregador de celular. Leve um carregador e teste tomada por tomada. Faça o mesmo com os interruptores, acendendo e apagando cada ponto. É repetitivo e é o teste que mais gera item na lista.
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Rejunte e silicone nos rodapés e no box. Passe o dedo pelo rejunte do banheiro e da cozinha. Falha, buraco ou rejunte esfarelando na entrega vira infiltração no ano seguinte. Olhe também o encontro do box com a parede.
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Paredes com a luz raspando. Acenda a lanterna do celular e encoste na parede, apontando a luz de lado. As ondulações, os remendos de massa e os pontos onde a tinta não cobriu aparecem na hora — do jeito frontal você não vê nenhum deles.
Quanto custa
Como registrar sem dar margem a discussão
Além do carregador, da bolinha e do balde já citados, leve trena e fita crepe. A trena serve para conferir se as medidas dos cômodos batem com a planta que você comprou — diferença de alguns centímetros muda onde a cama cabe. A fita crepe você cola ao lado de cada defeito, com o número do item escrito a caneta.
Aí vem a parte que decide a conversa depois: fotografe cada ponto duas vezes. Uma foto aberta, mostrando o cômodo inteiro com a fita colada, e uma foto fechada do defeito. Foto só de perto, sem contexto, não prova onde o problema está nem em qual cômodo — e é exatamente esse tipo de foto que a construtora devolve pedindo esclarecimento três semanas depois.
Descreva no relatório o que se vê, não o que você acha que causou. “Piso oco em quatro peças perto da janela do quarto 2” resolve. “Piso mal assentado” abre discussão técnica que você não precisa comprar.
Mais ideias
O que a construtora costuma recusar — e o que ela não pode recusar
Marca de sujeira, poeira de obra e respingo de tinta em vidro geralmente entram como limpeza e não como defeito. Não vale gastar sua energia de negociação nisso.
Já rodapé desalinhado, piso oco, vazamento, tomada sem energia e porta que não fecha são defeitos de execução, e a construtora responde por eles. Dois prazos ajudam nessa conversa, e eles vêm de leis diferentes. O Código de Defesa do Consumidor dá 90 dias para reclamar de problema aparente em bem durável, contados da entrega. Já o prazo de cinco anos, esse tão citado, vem do Código Civil e cobre solidez e segurança da construção — com uma pegadinha que quase ninguém menciona: depois que o problema aparece, existe um prazo curto, de 180 dias, para acionar a construtora. Cinco anos é a janela em que o defeito pode surgir, não o tempo que você tem para reclamar dele.
Nada disso substitui ler o manual do proprietário que veio com o imóvel: ele traz o prazo de garantia específico de cada sistema, do rejunte ao elevador, e é o documento que a construtora vai citar.
Se aparecer um item que você não consegue avaliar sozinho — trinca com desenho estranho, mancha de umidade no teto, cheiro forte de esgoto —, não assine o termo naquele dia. Peça uma segunda visita. A pressa de pegar a chave é a maior aliada da construtora nessa conversa.
Perguntas frequentes
Posso levar alguém para me ajudar? Pode e deve. Duas pessoas cobrem o dobro de cômodos no mesmo tempo, e uma segura a lanterna enquanto a outra fotografa. Empresas de vistoria também fazem esse serviço, cobrando em geral por metro quadrado — vale para quem não tem tempo ou vai receber o imóvel de outra cidade.
Se eu assinar o termo, perdi tudo? Não. Assinar não apaga prazo legal nenhum — o que você perde é prova. Item visível não anotado vira a sua palavra contra a da construtora, e a discussão passa a ser se aquilo já estava ali na entrega. Defeito que só apareceu com o uso continua sendo responsabilidade dela dentro dos prazos.
Quanto tempo a construtora tem para consertar? O prazo costuma estar no manual do proprietário e no termo que você assina. Peça a data por escrito no próprio documento de vistoria, com o nome de quem recebeu.
E se eu já me mudei e descobri um problema? Registre por escrito com foto e data assim que perceber, mesmo que a mudança já tenha entrado. O que enfraquece o pedido é a demora entre notar e comunicar, não o fato de você já estar morando ali.
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